Novíssimos paraísos artificiaisEm defesa do planeta, o Jornal RelevO apresenta aos seus acalorados leitores os próximos destinos do verão perpétuo da humanidade.Nesta newsletter, resgatamos textos publicados no Jornal RelevO e já devidamente esquecidos. Dessa vez, trazemos algo mais recente: as centrais da edição de outubro de 2023. Antes, um recado…Talvez uma das mais subestimadas formas literárias, a indireta navega por mares longínquos atingindo tudo e todos – menos aquela mala sem alça à qual se destina! Certas pessoas adoram ficar de indiretinha por aí, não é? Pois o Jornal RelevO se compadece desses semeadores da discórdia. Decidimos deixar um espaço na edição de abril de 2026 para que todas as indiretas cheguem aonde precisam chegar. Contribua para as próximas páginas centrais colaborativas do Jornal RelevO mandando a sua indireta. Para quem? Oras, para aquela pessoa que você sabe quem é! Envie por onde preferir: neste formulário, no Instagram, por e-mail ou nos comentários aqui do Substack. O importante é ser indireto, ao contrário de uns e outros… Novíssimos paraísos artificiaisEm defesa do planeta, o Jornal RelevO apresenta aos seus acalorados leitores os próximos destinos do verão perpétuo da humanidade. ![]() Jornal RelevO: centrais de outubro de 2023. Bônus para essa capa + contracapa sensacionais. Diagramação: André Delavigne. Ninguém mais duvida de que a humanidade acabou e que estamos vivendo apenas a prorrogação da vida, meras faixas-bônus remixadas por um produtor obscuro cujo tio rico pagou à gravadora em permutas de vinho contrabandeado. Em termos climáticos, vivemos uma espécie de golden goal, apenas à espera do chacoalhão final. Pensando no fim do fim e na importância da indústria do turismo para a economia mundial (mesmo depois do fim do mundo), trazemos as apostas de destinos mais apropriados a experiências de intensidade e de selfie enquanto ainda existe Planeta Terra – não aquele festival de indie aposentado. Circuito de Le Parkour Cataratas-geleiras da AntártidaPor muito tempo, a experiência de conhecer os paraísos remotos da humanidade, como o Polo Norte e o Polo Sul, era permitida apenas para bilionários exóticos ou pessoas com formação em alguma coisa de bicho ou pedra. Contudo, o empresário ibérico-francês Jean Cucarrollet pretende revolucionar a experiência com geleiras ao trazer para Foz do Iguaçu um conceito de Le Parkour único, aproveitando os blocos de gelo que começaram a cair das Cataratas, tornando o que era catastrófico em catastrófico, mas fotografável. “Cruzar com onça já cansou pra mim. O turista de hoje quer saber de experienciar o extremo do extremo. Perigo, adrenalina, filtro: tudo caminha para um mesmo caminho e vice-versa. Estamos estudando a possibilidade, inclusive, de unir papagaios e focas marinhas no mesmo rollet, digo, passeio, demonstrando que o animal silvestre brasileiro não é preconceituoso e nem vive somente de xingar turista estrangeiro”, afirma Cucarrollet, que promete a inauguração para 2024 – “se ainda estivermos por aqui, claro. Me alcança um copo d’água?”. Curitiba: capital do sambaPor muito tempo, Curitiba foi considerada por si mesma a Europa do Brasil, com seus cidadãos enumerando os dias anuais de “neve”, evitando encontrar os próprios amigos e contando onde estavam naquele dia que fez frio pra caralho. Mas, para o empresário Jorginho Guimba, a hora é de pensar no futuro do deslocamento da realidade: “faz tempo que não tem geada-geada e, se bem me lembro, pois acabei tendo pressão baixa e desmaiando, dia desses fez 37 graus em setembro. É a hora certa de mudar o mood de capital mais fria do Brasil para a capital mais… alegre?, e explorar o que de bom o calor extremo traz, como…”, alega o empresário em alguma língua nativa de seus avós. “Sou filho das bruxas da Itália que… Cleide, traz o medidor de pressão de novo?”. Ao oficializar Curitiba como capital do samba, a ideia é, a princípio – não entendemos muito bem –, deixar o samba morrer. “É pro planeta balançar menos”, alega Guimba. Expedição Brasil-Portugal a bordo de um istmoCom o aumento de pequenos terremotos no Brasil e das fissuras no tecido social do país – e, num mundo líquido, contando com a diminuição da necessidade de um estado pertencer à nação por sua mera fronteira terrestre –, o Espírito Santo já faz planos de se desmembrar do Brasil não de forma legal, mas simplesmente física. A ideia? Tornar-se um pedaço de terra que pode ir aonde quiser, levando toda a malemolência capixaba aos locais mais inóspitos do mundo, como Tuvalu, Seychelles e Portugal. O deputado estadual Argemiro Argento, que prefere ser chamado de I Deputado Extramar, lidera a campanha “Vai pro Istmo”, mas parece mais concentrado em angariar fundos para o slogan “Vitória: capital aleatória”, que promete jogar luz sobre… alguma coisa – o Espírito Santo é realmente um ponto de interrogação charmoso deste país quente de Norte a Sul. Movimento separatista do sorveteCom a nova ordem mundial invertida, os sorveteiros enfim serão reconhecidos como prestadores de serviços de extrema necessidade. Contudo, a questão que fica é: quem serve sorvete ao sorveteiro? O cidadão mais limitado poderá responder que o próprio sorveteiro poderá servir-se, numa real apropriação dos meios de produção. Aí que começa a crise. A sorveteira Alexia Passos, idealizadora do movimento Duas Bolas, Um Cone (DBUC) – “nada a ver essas piadinhas, e nada a ver me chamar de Alexa e me pedir algo” –, lidera a campanha contra a crescente taxação do setor. “Meu sorvete saía por 2 reais e agora tá 22 reais simplesmente porque o governo passou a cobrar ICMS (Imposto sobre a Cobertura de Menta no Sorvete). Se isso não mudar já, o Brasil vai parar!”, completa, cadeando o seu carrinho. Na virada do ano entre 2021 e 2022, um dos editores deste Jornal tentou pagar um sorveteiro no Pix em Pontal do Sul (PR), mas anotou o Pix errado e, basicamente, deu um calote – não intencional, alega ele. Não se passou um dia desde então sem que tal editor tenha sentido imensa dor na consciência, e todas as procuras pelo vendedor Brito foram em vão. Bremen: a cidade condicionadaAcostumados com o condicionamento à burocracia, os alemães, tarados por papel e por eliminar a graça de qualquer atividade humana, prometem uma solução para o aquecimento global (que dessa vez, ou por enquanto, não envolve dominar a Europa ou protagonizar alguma guerra mundial). A ideia é construir uma cidade-domo com motores alemães, placas tectônicas alemãs, design alemão e disciplina alemã. Até o momento, a ideia não decolou: ninguém quer morar lá, muito menos enfrentar a papelada necessária para a candidatura (que, ironicamente, segundo estimativas sólidas do Instituto Muito Alemão de Pesquisa, desmataria o planeta inteiro se 3% da população decidisse pleitear uma vaga). Beach soccer revengePor muito tempo, o futebol de areia foi considerado um subesporte praticado por cariocas que trabalham entre o Natal e o Ano Novo. Contudo, diante das dificuldades crescentes de obter gramados de qualidade no Brasil e no mundo, diversas confederações estudam transformar o futebol de grama em areia. A liga americana de futebol (MLS), sempre reconhecida pela falta de intimidade com a bola, planeja para 2026 uma série de eventos-teste em Ibiza e Arraial do Cabo, visando dominar o suposto subesporte para reforçar a liga local, vender mais cachorros-quentes e poder se denominar melhor do mundo em outra atividade praticada apenas por americanos. Também cogita-se encontrar petróleo na areia. Excursão Aparecida do Norte-HubbleSe tem uma coisa que o brasileiro que passa mal de calor gosta de fazer é rir de brasileiro em situação pior que a dele. Ônibus sem ar-condicionado? Falta de água no coletivo? Grupo de jovens bêbados pisando na merda, perdendo viagem e vomitando no banheiro? Sabendo dos perigos da fé em excursões e aproveitando o sucesso do ônibus-rave “Aparefrita”, o empresário Melon Husk pensa em lançar, a partir de 2030, excursões que partem de Aparecida do Norte para algum lugar do espaço. “Ainda não sei onde, mas vai ser lôco… vem cá, isso aí é água água?”. Balneário Camboriú BarSe o Brasil inteiro não pode ir a Camboriú, que tal transformar o Brasil inteiro em Camboriú? Foi o que absolutamente ninguém pediu e, por isso mesmo, parece ser o destino derradeiro da nação. Como sinal fatídico do Apocalipse, a bela cidade litorânea com sombra no litoral almeja se tornar o primeiro bar-cidade de gelo gigante, com muitas luzes, muitos DJs, muitas baladas, muitas coisas que você, com mais de 29 anos, não quer fazer e, com menos de 29 anos, não tem dinheiro para fazer. O promoter Guilherme Medina, mais conhecido como Gui Medi, é dono do BarNeário e idealizador do projeto que o Greenpeace já batizou como “A sexta onda do fim dos tempos”: “Só sei dizer uma coisa: seremos a primeira cidade inteiramente VIP do mundo”. |
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terça-feira, 10 de março de 2026
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