O RelevO gravou um curtaSobre a importância de diversificar falhas; planos de expansão; Correios again.Olá, assinante e colaborador do RelevO. Às portas de março, o RelevO traz três recados, cada qual, à sua maneira, demonstrando a habilidade do Jornal para não mudar os rumos da humanidade ou reduzir o preço do café. O primeiro recado é do Mateus Ribeirete, editor do Jornal. 1.Concluímos a primeira etapa do primeiro projeto cinematográfico do RelevO. Após alguns meses de (muita) dedicação, gravamos o curta-metragem Colaboradores, a ser lançado ainda no primeiro semestre. Eu o escrevi e Cassio de Oliveira o dirigiu. Para azar do projeto, também atuei nele, com um cameo espetacular do publisher Daniel Zanella. Gravamos tudo em três noites na Brains Coworking, em Curitiba, e contamos com o apoio da Fábrika Pães e da Maniacs Brew para alimentação e objetos de cena, respectivamente. Colaboradores acompanha três colegas de RH que precisam lidar com um pedido inesperado no fim do expediente de sexta-feira — e com a própria incompetência ao tentar atendê-lo. É uma comédia (ou terror corporativo…) e, se Deus quiser, alguém vai rir (não por humor involuntário). Na prática, é como um bottle episode de TV — aquele episódio que se passa todo num cenário só. Em agosto do ano passado, mostrei a ideia ao Cassio, então convidei (os agora amigos, para azar deles) Aline Marques, Matheus Camargo e Victoria Poletto — todos nos conhecemos no mesmo curso de interpretação. Começamos a ensaiar e, gradativamente, limpamos, enxugamos e melhoramos o roteiro. Conseguimos gravar no belíssimo cenário da Brains e, bom, atualizaremos vocês todos sobre tudo isso, porque é um grande passo para nós. Uma parte do processo todo está aparecendo lá no Instagram do RelevO. Vai ter evento. Vamos nos esforçar. Estamos nos esforçando. O RelevO deixará de ser apenas um adorno de gaiolas ou banheiro de pet. Queremos novos desafios. Queremos velhos desafios. Dormimos pouco. Colaboradores está oficialmente em pós-produção. Estamos orgulhosos. Para ilustrar, algumas fotos de Filipe Lima Brito, que cumpriu no mínimo três funções no projeto: ![]() Set de Colaboradores (2026). Fotos: Filipe Lima Brito. Agora devolvo à palavra ao sr. Editor Zaniel Danella. 2.Janeiro e fevereiro são os meses da ilusão de ótica. Enquanto nos desvencilhamos dos gastos de fim de ano e planejamos outros gastos no período de Carnaval — que não existiu para o RelevO, vide o curta que estamos cometendo —, o ano vai se desenvolvendo na contramão do nosso desejo de descansar mais um pouco. Em suma, os dois primeiros meses do Jornal não foram ruins (financeiramente falando) nem brilhantes, mas foram propícios para repensarmos nossos próximos passos. O RelevO quer invadir novos espaços, mais do que fazemos com a nossa distribuição, que agora incomoda o Brasil, a Argentina, o Uruguai e a Colômbia, com pontos condenados a nos receber todo mês enquanto tivermos assinantes e anunciantes. Temos um PLANO DE EXPANSÃO. Para chegarmos as o feito de ser o periódico com maior capilaridade de distribuição do Brasil, estamos a um patrocinador master de distância. Temos um plano detalhado. Temos uma logística com o mapeamento de mais de 250 pontos culturais ainda não atingidos e, em boa parte, fora dos eixos estabelecidos de cultura, sem falar de ações em feiras e festivais estratégicos. Temos custos levantados disso tudo. Temos métricas de investimento e de resultados para quem queira alinhar os seus propósitos ao do nosso periódico. Você conhece um investidor cultural firmeza? Você é um deles? Entre em contato com a gente. Quem sabe, você pode ser o elo ou o agente da mudança de patamar do RelevO (sem bets). 3.Agora voltando aos trilhos operacionais, os Correios deram alguma dor de cabeça neste começo de 2026. Com a greve parcial de dezembro e o natural volume maior de compras e encomendas do período, algumas entregas ficaram represadas, sobretudo no Rio de Janeiro e no Norte do Brasil. Estamos monitorando cada uma das reclamações e pressionando os Correios, que alegam retorno ao padrão de eficácia registrado ao longo do ano passado — o qual realmente foi bom, aliás. O RelevO é um jornal impresso de literatura que oscila entre a própria inadequação de formato [e jeito] de fazer as coisas e a ambição incontornável de sua equipe de realizar algo que ultrapasse o comum — que exista apesar de tudo, que resista ao tempo e que faça do papel (e de seus projetos audiovisuais, quem sabe) um território de diversão & sonho. |
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
O RelevO gravou um curta
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Cotidiano: Batom Vermelho
Drops literário, fragmento do livro: livro Sem Amarras! Arte digital, gerada por inteligência artificial. Créditos: Texto de Fabiane Braga Lima e direção de arte, arte final e redação de Samuel da Costa poeta e contista em Itajaí, Santa Catarina.
Cotidiano: Batom Vermelho
As horas passam devagar. Eu não vejo a hora de chegar a madrugada, pois existe um silêncio excitante nela. É na madrugada que me sinto graciosa, onde me olho no espelho. Pode até soar estranho, mas é nessas horas que passo um batom vermelho e me sinto bem. Renovo-me; sou uma outra pessoa, mais alegre e mais grata por estar bem comigo mesma!
É nessas perdidas horas noturnas que leio meus livros, que ouço vozes que saem do meu inconsciente. Quando tenho a mente acelerada, geralmente ando em círculos. Logo depois, me aquieto. Digo que cansei de ler e escrever, mas é mentira (risos).
Às vezes, penso nessas horas: se todos nós tivéssemos a chance e o tempo para ler e escrever, nosso país seria bem diferente do que é agora. Não haveria tanta ignorância, violência, ganância e mentira.
Se todos tivéssemos a chance de conhecer histórias de escritoras do quilate de Carolina Maria de Jesus, existiria mais valor nos estudos e uma vida mais digna para todos nós.
Silencio-me agora; vou retocar meu batom vermelho! Logo depois, quero ler Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus — livro que recomendo.
Texto de Fabiane Braga Lima, poetisa, cronista, contista e novelista, de Rio Claro, São Paulo.
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Ópera Mundi — décima parte: Epílogo — segunda parte
Drops literário, fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas Arte digital, gerada por inteligência artificial. Créditos: Texto de Clarisse Cristal e direção de arte, arte final e redação de Samuel da Costa, poeta e contista em Itajaí, Santa Catarina.
"Eu ousei adentrar...
Em mundos desconhecidos da minha vida cotidiana,
Como se houvesse uma vida com algo,
Ou alguém que, ao longe, clamava por mim."
Fabiane Braga Lima
Antes de adentrar na câmara ardente, a almirante Bartira teve poucos nanosegundos, mas o tempo foi suficiente para tecer algumas considerações sobre a afra rainha Luna Dark e os passos tortuosos que a milady celestial percorreu após deixar o deserto desolado. Depois que a afra rainha embarcou no Dirigível Mare Crisium e adentrou a Bifrost, desembarcou da belonave e, por fim, se embrenhou na Turris ebúrnea.
O que houve de fato dentro da Turris ebúrnea, a almirante Bartira não sabia, mas teve uma vaga ideia do que se desenrolou ali, pois, pela imprudência de abandonar o exílio imposto por Hastur e devido à conexão neural, a militar de alta patente compartilhou as sensações avassaladoras de vazio, desespero e abandono quando a afra rainha Luna Dark percebeu, por fim, que o vate Yendel ali não se encontrava mais, na Turris ebúrnea.
O passeio em si da aristocrata, membro da corte de Hastur, pelos domínios etéreos do deus cibernético Calibor, tinha tudo para dar errado. E Bartira, a militar de alta patente, teve a noção exata da tragédia em si quando a afra rainha voltou ao mundo em vigília e reincorporou o avatar que havia deixado para trás. Foram dias e noites na terra dos sonhos, o que significava poucos minutos na terra em vigília.
A afra rainha Luna Dark produziu uma onda magnética devastadora ao reincorporar o avatar. Ela fez ruir o elevado da autopista, que fez ruir a segunda pista e, por sua vez, soterrou a primeira pista. Além de sair ilesa da devastação, gerou muitas mortes e feridos, e a onda magnética também promoveu distúrbios em aparelhos elétricos, mecânicos e eletrônicos por quilômetros.
Como uma das poucas vítimas sobreviventes, a afra rainha Luna Dark teve que se reinventar ao longo dos anos, depois de um longo tratamento psiquiátrico. Bartira foi informada de que Luna havia se reinventado e assumira um cargo menor em um parlamento — na verdade, na câmara alta — e, logo no primeiro dia, a aristocrata quase matou uma mulher. Nos dias seguintes, a milady exilada da corte negra de Hastur começou a burilar o ambiente usando a telecinese.
E não demorou muito para o deus cibernético Calibor descobrir que a afra rainha Luna Dark havia levado consigo o palácio das memórias do vate Yendel. Yendel, o bibliotecário-mor de Calibor, encontrava-se desativado — o cyborgue depositário do acervo de todas as aquisições e saques efetuados em civilizações e planetas que Calibor promoveu durante incontáveis eras.
O final desse imbróglio não poderia ser outro: o funeral Lavívi. As exéquias imperiais fúnebres deveriam ser executadas, mesmo a afra rainha Luna Dark e o vate Yendel não sendo casados formalmente. Pois a afra rainha Luna Dark, como uma imortal semideusa, e o vate Yendel, sendo um cyborgue nascido de uma explosão de supernova, também não poderiam morrer. Lançá-los ao astro-rei foi a solução — era assim o rito do funeral Lavívi, raramente utilizado.
A almirante Bartira, recém-promovida, teve essa incumbência, pois o funeral imperial Lavívi somente poderia ser executado por um almirante — um militar de alta patente consagrado nos campos de batalha. Mas Bartira teve outra ideia, estapafúrdia a princípio, porém, depois, sussurros heréticos aqui e ali — vozes veladas — davam conta de um mito esquecido há muito tempo: a união de máquinas e seres vivos. Não que isso fosse uma novidade, pois Yendel era um cyborgue. O desafio era unir os dois seres celestes, ambos detentores de poderes inimagináveis e quase ilimitados. E a almirante Bartira pesquisou a fundo e descobriu a existência de um rumor vago de que algo próximo disso já havia ocorrido — e as pesquisas apontavam para o palácio da memória do vate Yendel.
Ao adentrar na câmara ardente, feita de energia quântica, a almirante conecta-se ao cyborgue Yendel, que estava encapsulado na sala da proa do vaso de guerra, o Dirigível Mare Crisium. A almirante Bartira adentra a finitude do palácio das memórias do vate. Ela se multiplicou e se multiplicou e se multiplicou em um ciclo infinito. Pergaminhos digitais foram vasculhados, bancos de imagens foram assistidos, arquivos de áudio foram ouvidos e analisados. Hologramas foram projetados, antigos alfarrábios consultados e proibidos grimórios recitados. Sigilos místicos, há muito esquecidos, foram invocados; cânticos sagrados foram entoados; poemas foram bradados; e virtuais computadores quânticos foram ligados. E, por fim, a almirante encontrou o que procurava. A câmara ardente se desfez, e a almirante Bartira foi lançada ao chão, exausta. Na mente da militar surgiu um nome: o Protocolo Lavívi, por fim, fora encontrado.
Fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas — texto de Clarisse Cristal, poetisa, contista, cronista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Argumento de Samuel da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Opera Mundi — nona parte: Epílogo — primeira parte
Drops literário, fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas Arte digital, gerada por inteligência artificial. Créditos: Texto de Clarisse Cristal e direção de arte, arte final e redação de Samuel da Costa, poeta e contista em Itajaí, Santa Catarina.
''Incoerente, entreguei o meu coração...
A alguém que mal conhecia.
Fiquei entre a demência e a razão,
Oscilando o meu próprio inconsciente.''
Fabiane Braga Lima
A agora almirante Bartira olhava perdidamente para o vazio da álgida infinitude cósmica. Ela não via as torres de Carcosa atrás da lua, nem a estrela Aldebarã, nem as Híades pendendo do céu, e muito menos ouvia as sombras dos pensamentos de homens e mulheres que se alongam ao entardecer, nem os sóis gêmeos mergulhando no lago de Hali.
A almirante Bartira via e sentia uma estrela evanescer, mas o astro se negava a morrer e tendia a virar uma supernova em seu derradeiro fim. Pois o corpo celeste simplesmente se negava a se expandir e virar um astro morto. A estrela tinha ao lado uma anã branca e, em uma batalha contra a gravidade, os dois astros se fundiram e explodiram. O brilho astral percorreria a vastidão cósmica por eras infindas. Coisas que nem a distância astral, nem as poeiras cósmicas impediam a militar de alta patente de admirar e, por fim, encontrar uma saída para o dilema que a circundava: tornar permanente o que é efêmero, tornar estável o que por natureza é instável. O desafio estava lançado, e agora era encontrar para o problema gerado uma solução definitiva.
Um tanque-robô Aparai AS13 surgiu à frente da almirante. A máquina de combate, convertida em ajudante de ordens, chamou a atenção da militar de alta patente para a realidade urgente e premente. Lembrar do cerimonial, em que ela subiria de patente, marcado para dali a pouco pelo Conselho Supremo. Um simples protocolo a seguir, e a comandante de campo Bartira, por ora, daria cabo de todas as pendências antes de resolver o que de fato importava.
Bartira se multiplicou em um avatar, olhou para si e viu os longos cabelos, os olhos negros rasgados, penas de araras nas orelhas, o traje de combate negro de vinil. O avatar então foi até o supercomputador quântico para dar conta das muitas mensagens que não paravam de chegar. E o que chamou a atenção foi a mensagem da rainha Bastet, a deusa dos felinos. Depois de elogios e parabéns protocolares pela promoção de patente a ser oficializada, Bastet agradeceu pela viagem de seus súditos e informou que o documento final — a Constituição dos Felinos — já estava concluído. E, fora do protocolo, em um tom de censura, Bastet falou que a trituraria com as próprias garras se misturasse os seres humanos com os seus súditos felinos novamente. E o que se seguiu depois foram mensagens protocolares e amenas, vindas de todos os quadrantes do cosmo, dos multiversos.
A almirante Bartira se dividiu de novo e, concomitantemente, deixou outro avatar responder às mensagens protocolares enquanto ela ia até a ponte de comando. Foi conduzir o Dirigível Mare Crisium até um buraco de minhoca que se formou à frente. A belonave sobrevoava o deserto desolado da semideusa, a afra rainha Luna Dark, e a astronave adentrou a ponte arco-íris Byfrost. A almirante Bartira conduziria a astronave de combate a uma dimensão ignorada e pouco frequentada do cosmo.
A comandante se dividiu novamente e deixou para o seu avatar, na ponte de comando, a condução da belonave. A almirante Bartira bem poderia flanar até o seu camarote, mas preferiu caminhar até o seu aposento privado. Andou poucos metros pelo corredor central, subiu os lances de escadas e alcançou por fim o seu camarote pessoal.
E ali, no camarote pessoal, na tranquilidade da solitude, a militar de alta patente se trancou, fechando-se hermeticamente. Bartira pensou e fez circular entre os comandantes, alferes e seus subordinados menores uma ordem: não queria ser incomodada, fosse o que fosse, em hipótese alguma. A almirante Bartira fez desaparecer os poucos móveis que havia no lugar; não poderia se distrair com nada além de si. A militar de alta patente fez surgir à sua frente uma pequena câmara ardente, um cubículo de energia quântica, com um trono em seu interior, e, ao adentrar o recinto, fez a porta se fechar.
Uma vez dentro da câmara ardente, a almirante Bartira pensou na afra rainha Luna Dark e em como ela fora imprudente ao deixar o exílio perpétuo para procurar o ser cibernético, o vate Yendel, na Turris Ebúrnea. E como o bibliotecário-mor do deus imortal Calibor também fora imprudente ao deixar a terra dos sonhos para ir ao encontro da afra rainha Luna Dark no mundo em vigília. A almirante Bartira fechou-se em si e entrou em seu palácio da memória.
Fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, contista, cronista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Argumento de Samuel da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Adaptações imbecis que ninguém pediu
Nesta newsletter, resgatamos textos publicados no Jornal RelevO e já devidamente esquecidos. Dessa vez, trazemos algo mais recente: as centrais da edição de janeiro de 2026. Adaptações imbecis que ninguém pediuÉ época de inovação! Aproveitando que hoje tudo é remix, remaster ou reboot e, em breve, (1) todas as grandes produtoras serão algum braço porco da Netflix; (2) ninguém mais sabe como fazer dinheiro no audiovisual, afinal Netflix; (3) tudo será o AI slop mais barato e emburrecido possível (tipo série da Netflix), sugerimos aqui algumas ideias, ou melhor, pitches valiosos para alguma produtora (de preferência a Netflix) levar a sério. Contratualmente, claro; não esteticamente (ui!): a ideia ainda é ser nada mais que uma ótima segunda tela, tentando não assustar muito os animais de estimação. Com vocês, as melhores adaptações que ninguém pediu! ![]() Jornal RelevO, edição de janeiro de 2026. Diagramação: Bolívar Escobar (como não amá-lo?) Assine para receber (de graça!) conteúdos como este: Jake Paul vs. 500 nóias de FentanilPara celebrar a verdadeira ‘Murica, terra de winners e carros grandões, Jake Paul enfrentará seu maior adversário nas artes marciais: 500 true Americans completamente incapacitados pelos melhores opióides que o mercado entrega! Quantos nóias conseguem atingi-lo? Quantos conseguem chegar até ele? São todos entorpecidos ou alguns conseguem lutar com raiva? Acompanhe este evento ao vivo, batizado preliminarmente de Guerra do Fentanil, que renderá mais de US$ 100 milhões a Jake Paul, orçamento que por si só não cobre os custos de transporte e consulta dos 500 nóias em L.A. Estes serão devidamente reaproveitados pela CIA, em nome da segurança nacional. Sítio do Picapau Amarelo: uma adaptação Funko PopSe as adaptações Lego vingaram, por que não as Funko Pop? Bom, antes de mais nada, porque Funko Pop é uma maldição cafona. Por isso mesmo, seu potencial é ilimitado! Nesta adaptação nacionalíssima, mas com investidores europeus (bem clarinhos, aprovados pelo autor…), todo o sítio vira um desfile de cabeças desproporcionais e olhos mortos. Emília surge com o sorriso fixo de quem sabe demais e não vai contar nada, Narizinho perde seu nariz e Visconde de Sabugosa é pasteurizado a ponto de nem parecer mais um velho esquisito. A castração maior acontece com o pobre Saci, cada vez menos travesso. Ironicamente, ele perde toda a subversão ao virar um produto perfeitamente empilhável – e com alerta antifumo! Tia Nastácia não teve nenhuma repaginação, uma tentativa de reerguer a banda Tianastácia, pois o roteirista (versão gratuita do Claude, com incrível limite de uso) confundiu as coisas. É o Sítio do Picapau Amarelo reimaginado como ele sempre temeu: não um espaço entre o freak e o desconfortável, mas o absoluto colecionismo compulsivo, perfeito para fumar um vape com as crianças 30+. Sherlock Holmes & o excesso de liberdadeDomínio público é ótimo, a gente adora. Mas que tal deixar esse velho autista descansar um pouco? Já não enfiamos o britânico mais cheirado do mundo pré-Keith Richards em todos (todos) os cenários possíveis? Não! Nessa nova adaptação com roteiro “tipo” Charlie Kaufman (mas com tudo bem explicadinho pra audiência entender), Sherlock Holmes volta ao mundo junto de seu pet, Mickey Mouse Holmes, e dos colegas Ursinho Pooh Holmes e Popeye Holmes para desvendar um enorme mistério: ele precisa readquirir seus direitos de imagem para evitar novas adaptações cinematográficas em seu nome. Pera, existe um mundo pré-Keith Richards? Mundo Pré-Keith Richards: o mundoUma série-documentário “tipo BBC” (mas com narração em IA para cortar custos) trazendo a história do mundo a partir dos olhos de Keith Richards, com efeitos especiais para cada substância utilizada durante o período retratado no episódio. Pior que essa ideia não é ruim, hein? — ou nosso parâmetro está desregulado, já que uma das ideias anteriores da estagiária incluía uma imersão de “Richards, o Little”, no mundo de Avatar. Se alguém tiver o contato do Keith Richards, manda lá. A gente troca os direitos por maconha. Charlie Kaufman por Charlie Kaufman: a vida dentro da minha bunda (ou Sinédoque John Malkovich Brilho Eterno Adaptação)Neste filme extremamente elogiado na demografia de escritores, jornalistas e demais amigos em transição de carreira, o protagonista (chamado de “Charlie”, mas também de “Protagonista”) precisa escrever o próprio filme enquanto o filme acontece, ao mesmo tempo que lida com dilemas muito interessantes a qualquer cidadão, como a dura entrega de seu livro ou a estreia de sua peça. E aí tem uma namorada, alguma coisa assim, e no final o filme percebe que é um filme, embora prefira ser chamado de “autoficção”. Termina numa página de roteiro. Com Charlie Kaufman. Sei lá. Roteiro adaptado ao público brasileiro por todos os escritores que publicam “autoficção” ou aparecem nesses podcasts literários de fofoca. Ainda Estou Aqui 2: uma ode ao rock nacionalPara celebrar o sucesso do cinema brasileiro, que tal cumprir o papel intrínseco do capital e vassourar só um pouquinho? Chega de comentários políticos chatos e dramas familiares burgueses. Ainda Estou Aqui 2 promete reconstruir a testosterona dos filmes de ação oitentistas, tentando equilibrar todas as explosões com o que há de mais indolente na nossa criação: o rock nacional dos anos 1980. Pra que almejar criatividade se você pode copiar “lá de fora” e rezar pra ninguém perceber? E é assim que Rambo (o Stallone já topou coisa pior) resgata Rubens Paiva na prisão (ele não morre no final do primeiro filme, né? Eu não assisti ainda!). Para muitos que leram a primeira versão do roteiro — basicamente, a IA trazendo reforço positivo para qualquer pergunta —, trata-se do melhor longa-metragem de IA de Sylvester Stallone desde Os Mercenários (2010) — e o primeiro com trilha sonora do Barão Vermelho. Samurai Bebop: o Dorama (ou Boomer Goes to Asia)“Por que essas crianças gostam tanto do Japão? Por que minha filha quer visitar a goddamn Coreia? Qual a diferença entre Japão e Coreia? Como assim existem duas Coreias? Meu pai lutou contra qual delas?” é exatamente o que algum executivo (“C-level”) com poder de decisão (e “amor ao cinema” no currículo) está questionando agora em alguma “sala de descompressão” da Netflix. Por isso, Samurai Bebop: o Dorama promete o maior slop entre todos os slops de criação preguiçosa com viés americano. Sem trocar milhas, pés, Fahrenheit, jardas e, Meu Deus, isso já ficou cansativo. Enfim, um dorama, e a gente não sabe o que é dorama. A gente é boomer? Okay, three, two, one, let’s jam! Casa dos Espíritos: Fantástico Visto de CimaA fronteira dos gêneros é uma invenção do capitalismo ou até mesmo do mercado literário. Pensando nisso — e acreditando que nossas ideias devem ser livres para fracassar simultaneamente em vários gêneros —, Casa dos Espíritos: Fantástico Visto de Cima quebra a quarta parede ao trazer o melhor do realismo fantástico para gringo ver misturado ao célebre programa dominical “Fantástico”. No lead, uma verdadeira latino-americana chamada Eréndira (Jennifer Lopez) com filtro amarelo incorpora coisas estranhas ao ordinário, como baseball, com muita poesia e cenas inverossímeis, a exemplo de um singelo pug voador que também faz as vezes de cinegrafista. O pug representa a derrocada do sistema de informação diante das novas tecnologias, ao passo que seu parceiro, um guarda-roupa falante, representa o “potencial guardado” da América Latina. Em seguida, Jennifer Lopez também quebra uma quarta parede, isto é, literalmente – porque o roteiro também é de Charlie Kaufman! Ou, ao menos, a ideia de Charlie Kaufman da IA em sua versão gratuita. Por fim, ouvimos um rico diálogo: “wow, você quebrou a quarta parede?”; “sí”, responde a argentina J.Lo, “yo la broke it”, “porque aquí vive mi abuela desalmada”, para ninguém perder nada em sua segunda tela. © 2026 Jornal RelevO |
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Sobre a importância de diversificar suas falhas. ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ...
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Enclave #135: conteúdo requentado para poluir ainda mais a Grande Rede. Donald E. Westlake. ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ...
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RelevO completa 15 anos: o presente fica com o último a fechar a porta. ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ...
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Concursos literários, editais, cursos de literatura, eventos literários e financiamentos coletivos entre 1º e 30 de setembro. ͏ ͏ ...

