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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Oração de Sexta feira
Latitudes #69
Latitudes #69Concursos literários, editais, cursos de literatura, eventos literários e financiamentos coletivos de 1º a 28 de fevereiro.
Concursos literários1º de fevereiro[Brasil] Imersão gratuita para escritoresO Projeto Escritor 2026 está com inscrições abertas para aulas sobre escrita, publicação e divulgação de livros. O evento acontece online, ao vivo, de 3 a 5 de fevereiro, às 20h. Esta é a 6ª edição do projeto, com foco em orientar autores sobre como atuar de forma estratégica em um mercado editorial em pleno aquecimento. 5 de fevereiro[Brasil] Curso gratuito para começar a escreverA Seiva está com inscrições abertas para aula online e aberta sobre como escrever as primeiras linhas do seu projeto literário. O curso “Comece sua história” será ministrado pela escritora vencedora do Prêmio Jabuti de Melhor Romance, Carol Bensimon. A transmissão é em 5 de fevereiro, às 19h30. 6 de fevereiro[Brasil] Programa de Apoio à Publicação da FrançaO Institut Français de Paris está com inscrições abertas para o primeiro edital do Programa de Apoio à Publicação – Cessão de Direitos 2026. Desde 1990, o Programa contribui para a tradução e publicação de mais de 26 mil títulos de autores franceses e francófonos em 80 países. O programa oferece apoio financeiro a editoras interessadas em publicar autores francófonos no Brasil. [Brasil] Chamada para expositores Feira do Livro do MIS (Flimis)O Museu da Imagem e do Som (MIS) está com chamada aberta a expositores e editoras interessados em participar da primeira edição da sua Feira do Livro, a Flimis, que acontece em abril. O evento é dedicado a publicações que dialogam com linguagens artísticas, especialmente aquelas ligadas à imagem — como fotografia, cinema, ilustração e quadrinhos — e ao som, com destaque para música e poesia. 10 de fevereiro[Paraná] Seleção para Coletânea Sesc de Contos InfantisO Sesc Paraná está com edital aberto para seleção de dez contos inéditos para compor a 11ª Coletânea Sesc de Contos Infantis. O tema é livre, mas os contos devem ter o estado do Paraná como cenário. Os selecionados receberão cópias da obra e participarão da 45ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro, em Curitiba. 14 de fevereiro[Brasil] Prêmio Barco a VaporO 22º Prêmio Barco a Vapor está com inscrições abertas para textos inéditos de literatura infantojuvenil. Serão aceitos originais não publicados em nenhum meio (impresso ou eletrônico), nas categorias conto, novela ou romance, com tema livre, destinados ao público infantil e juvenil. O prêmio para o vencedor é de R$ 40 mil. 15 de fevereiro[Rio Grande do Sul] Projeto Autor PresenteProjeto organizado por entidades públicas e privadas vai selecionar 150 artistas para realizar encontros literários com estudantes de 50 escolas públicas estaduais gaúchas. O objetivo é estimular a leitura e a criatividade. Os artistas receberão cachê por encontro realizado, no valor de R$ 1,5 mil para autores (escritores e ilustradores) e R$ 1 mil para contadores de histórias e mediadores de leitura. 20 de fevereiro[Brasil] Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo HorizonteInscrições abertas para o concurso que selecionará duas obras inéditas, escritas em língua portuguesa, nas categorias conto e poesia. O vencedor de cada obra vai receber R$ 25 mil. 22 de fevereiro[Mundo] IPA Prix Voltaire 2026A International Publishers Association (IPA) está com a chamada de indicações aberta para seu prêmio, que reconhece atitudes exemplares na defesa da liberdade de publicação. Qualquer indivíduo, grupo ou organização pode indicar um editor. Os indicados devem ter publicado recentemente obras controversas sob pressão, ameaças ou assédio, além de ter histórico notável de muitos anos na defesa da liberdade de publicação e de expressão. 26 de fevereiro[Brasil] 15º Olhar de Cinema - Festival Internacional de CuritibaCineastas podem inscrever seus curtas e longas-metragens no Festival Internacional de Curitiba, que será realizado entre 4 e 13 de junho. Serão aceitos curtas e longas-metragens de todos as tipologias e gêneros, inéditos no Brasil. 27 de fevereiro[Brasil] Convocatória para a 50ª Feira Internacional do Livro de Buenos AiresO Instituto Guimarães Rosa Buenos Aires e a Embaixada do Brasil estão recebendo propostas culturais e acadêmicas destinadas ao estande brasileiro na 50ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. O evento acontece entre 23 de abril e 11 de maio, na capital argentina. Podem se inscrever autores, tradutores, editores, livreiros, docentes, pesquisadores, artistas e profissionais do setor editorial e acadêmico. [Brasil] Chamada para o Megafone do Festival Poesia no CentroO Festival Poesia no Centro, que acontece entre 15 e 17 de maio, no Centro de São Paulo, está com convocatória aberta para o Megafone, programa dedicado a apresentações de poeta. Para se inscrever, basta enviar três poemas autorais e gravar um vídeo de até dois minutos com essa amostra da leitura ou performance que gostaria de apresentar no evento. Os vencedores recebem vales-livro de R$ 200. 28 de fevereiro[São José dos Pinhais] Curso livre sobre arteO curso livre Teorias e Temas Contemporâneos das Artes está com inscrições abertas e tem como objetivo promover uma compreensão crítica da arte contemporânea. As aulas acontecem entre março e agosto de 2026, no Teatro Municipal Ernani Zetola, em São José dos Pinhais (PR). [São Paulo] Chamada de originais Laranja OriginalA iniciativa literária Laranja Original está com chamada de originais aberta a escritores de poesia, crônica, conto, novela e romance residentes no estado de São Paulo. O tema é livre. Assine para receber a Latitudes: é de graça! Feiras e festivais literáriosTramoia ImpressaEm 7 de fevereiro, acontece na Rua São Francisco, 179, em Curitiba, a 2ª edição da Tramoia Impressa, Feira Periódica de Arte Impressa de CWB, que tem como objetivo celebrar a arte impressa, reunindo artistas independentes e processos artesanais. Mais de 30 artistas expositores estão confirmados. Feira Qui Qui QuiTambém no dia 7, mas em Goiânia (GO), acontece a feira gratuita de artes gráficas e publicações independentes. A segunda edição do evento acontece no Centro Cultural Octo Marques e reúne 23 expositores de Goiânia e do Distrito Federal. 34ª Feira Internacional do Livro de HavanaDe 12 a 22 de fevereiro, acontece, na capital de Cuba, a 33ª Feira Internacional do Livro de Havana, dedicada ao centenário de nascimento do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro. Essa edição especial homenageará o líder revolucionário por meio de lançamentos, exposições e debates que visam resgatar seu pensamento, memória e legado. A feira apresentará mais de 1,2 mil novidades literárias digitais. Financiamentos coletivosLivro do álbum Alucinação de BelchiorO Canal Musicália está com financiamento coletivo aberto até 12 de fevereiro para publicar o livro do álbum Alucinação, de Belchior. O álbum mais emblemático da carreira do artista será trazido em formato de análise contextualizada e detalhada de letra e música por Juscelino Filho e Carla Cruz. Late Pledge: O Mundo Onírico de Lord DunsanyAté 8 de fevereiro, entusiastas do horror sobrenatural podem colaborar com o financiamento coletivo do livro O Mundo Onírico de Lord Dunsany, organizado pela editora Clock Tower. © 2026 Jornal RelevO |
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Passado, presente, ruídos do futuro: para melhor entender ou desengajar de um projeto cultural
Passado, presente, ruídos do futuro: para melhor entender ou desengajar de um projeto culturalCorreios; internacionalização tímida; palavrório infame; ausência de fricção.
Olá, assinante e colaborador do RelevO. Bem-vindo à primeira circular de 2026. Hoje, traremos três recados para serem lidos antes ou durante as trombetas do Apocalipse. 1.2025 cortinou-se com uma crise pesada nos Correios, instituição pública que novamente passa por dificuldades de caixa, ambiciona uma reestruturação a longo prazo e teve paralisação parcial dos serviços. É um cenário que nos preocupa imensamente. “Mas, gente, por que insistir com esse pessoal? O serviço não presta!!!”. Pois bem, com todos os altos & baixos da estatal, em 15 anos de circulação, não encontramos nenhum aparelho logístico com preço tão competitivo e capilaridade irrestrita como a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Os Correios são um relacionamento tóxico que mexe com o nosso coração. Para um impresso de literatura independente, assim como para uma parcela significante do mercado literário, os Correios representam a única alternativa de competitividade. Ou é usar os serviços dos Correios ou é aumentar o preço numa paulada só, lamentando as condições de dumping de Amazon & cia., que certamente não se importam com as margens de outros players. Contudo, reconhecer a importância dos Correios não significa não cobrar a eficácia do serviço — até porque, todo mês, pagamos regiamente o nosso boleto, correspondente a 35% do nosso faturamento.
No nosso caso, mais especificamente, fazemos assim: a reclamação entra via e-mail ou redes sociais. Logo, conferimos a data do envio do malote. Entendemos que um prazo adequado de envio + recebimento é de cinco a sete dias úteis. “Sim, devia ter chegado mesmo”. Então, entramos em contato com o CDD (Centro de Distribuição Domiciliar) local, buscando entender porque até mesmo as entregas com registro andaram atrasando no fim de ano. Independentemente das respostas dos Correios, enviamos mais um malote, entendendo que é preferível receber dois malotes iguais do que nenhum. Um passo antes, na média e em cenários não caóticos, as alegações dos Correios passam por três linhas:
O ponto C (que na verdade é um 3!) nos preocupa muito porque nos deixa em uma posição vendida. Mandamos os exemplares pelo sistema de Mala Direta Básica, sem registro, justamente para conseguir dispor de valores de assinatura praticáveis. Quando recebemos a reclamação e o exemplar de fato não chegou dentro da margem esperada (até a metade do mês), só nos resta enviar pelo sistema com registro, geralmente cinco vezes mais caro. É como dobrar a dose do destilado de sua preferência. E por que não mandamos somente com registro? O cálculo é simples e dolorido: se um envio normal sai em média por R$ 3, o envio com registro chega a R$ 15. Em uma assinatura anual (que sai por R$ 80), sem embutir os demais custos — como valor unitário do exemplar, envelope, etiqueta, transporte & afins —, em cinco meses de não chegada regular dos exemplares, já gastamos todo o valor bruto da assinatura de 12 meses. É a receita perfeita do déficit. Mais: a experiência do leitor com o produto fica totalmente comprometida. A partir da nossa planilha de controle de reclamações, percebemos que 80% dos assinantes que tiveram problemas com o recebimento dos exemplares em sua primeira temporada não renovaram a assinatura no ano seguinte. Com razão. Contamos tudo isso para reforçar que buscamos a melhor experiência possível para o assinante do RelevO, desde o processo de compra até a última página do mensário. Não nos escondemos das reclamações nem prometemos soluções mágicas, mas, ao mesmo tempo, não somos a Amazon. Por fim, acreditamos que os Correios ainda são o melhor caminho para projetos independentes como o nosso. Seu exemplar está atrasado? O vizinho roubou novamente seu malote? O gato dormiu três dias seguidos em cima do envelope pardo e o jornal desapareceu? Não deixe de nos escrever tanto por aqui como em nossas redes sociais, sobretudo no Instagram, onde temos mais presença digital. 2.A distribuição é um dos maiores interesses deste editor, que, desde a primeira edição, em setembro de 2010, participa ativamente do processo de chegada dos exemplares até os leitores. Dividimos o percurso em três etapas:
“Qual é o sentido de enviar exemplares de graça para os pontos? Isso não depõe contra os assinantes?” — exatamente, de modo reverso! São justamente os assinantes que custeiam que o RelevO chegue, por exemplo, em Cacoal, na região central de Rondônia, ou na Agridoce Livraria e Sebo, em Erechim, no Alto Uruguai gaúcho. Um jornal precisa se descentralizar para ser lido individual e coletivamente. Atualmente, são aproximadamente 350 pontos de distribuição espalhados pelo Brasil todo e, a partir de fevereiro, teremos o acréscimo de dois pontos internacionais: Eclipsamor Libros, em Rivera-Uruguai (!), e Tao Librería de Iguazú, em Puerto Iguazú-Argentina (!). Ambos os espaços se localizam nas fronteiras com o Brasil. Aliás, se você conhece pontos culturais legais para o RelevO chegar e que não constam na nossa distribuição, conte; indique pra gente; entregue um exemplar do nosso periódico; esqueça a placa de “Não Perturbe”. Se quiser patrocinar o envio para um ponto somente seu, com o seu nome indo no malote como apoiador do envio, estamos aqui para fazer a tecnologia do recebimento acontecer. Inscreva-se gratuitamente na nossa newsletter! 3.Estamos com ombudsman nova. Priscila Branco é a 17ª ocupante do cargo, que existe desde 2014. Pesquisadora da poesia de mulheres, ela é editora de livros e da revista Toró e colunista da revista Cassandra. Atua como analista de literatura no Sesc Nacional, coordenando projetos como Prêmio Sesc de Literatura, Arte da Palavra, Revista Palavra e a curadoria do Sesc na Flip. Seus poemas já foram publicados em diversas revistas brasileiras, traduzidos para o espanhol (nas revistas mexicana Granuja e peruana Kametsa) e para o tcheco (na revista Tvar). Priscila ficará de seis a nove meses como detentora do cargo. Seus textos, que não podem ser editados pelo periódico, analisarão as edições, o meio literário e as petições do assinantes. Ao lado da Folha de S.Paulo e de O Povo, de Fortaleza, o RelevO é um dos únicos três jornais do Brasil com o serviço Na primeira coluna de seu mandato, Priscila mencionou uma série de reclamações de leitores e pontos de distribuição do Jornal em relação à linguagem das últimas edições, com suposto excesso de palavrões.
A discussão, que cresceu de volume em nossas redes, muito nos interessa porque, afinal, denota que somos lidos e causamos algum tipo de espécie em nosso leitorado. Entre críticas negativas e defesas mais enfáticas, perdemos três assinantes e tivemos a entrada de dois novos assinantes. Bom? Ruim? Vemos por outra ótica. Cada vez mais, temos pensado no conceito de fricção de conteúdo. Percebemos — e nem somos lá muito inteligentes — que as plataformas são desenhadas para eliminar qualquer esforço do usuário, tornando o consumo de conteúdo automático, contínuo e altamente viciante. Essa fluidez excessiva não é neutra e nos afasta de algo profundamente humano: o esforço consciente, a escolha deliberada e a alegria da descoberta. Ao remover obstáculos e focar em recompensas repetitivas, as redes sociais reduzem a nossa agência, nos empurrando para a gratificação instantânea e para um consumo passivo de conteúdos confortáveis. O RelevO existe justamente como contraponto a essa lógica da fluidez vazia. Ao optar pelo impresso, pela leitura sem notificações, pela curadoria humana e pelo tempo lento, recolocamos a fricção como valor. Não queremos praticar a autofricção, mas tampouco queremos entregar edições mornas, com textos limpinhos e excelentes para a educação do jovem brasileiro sem idade para tirar CNH, embora saibamos de jovens que andam lendo o nosso periódico à revelia de adultos comprometidos com a educação brasileira. Ler o RelevO exige parar, folhear, escolher textos, atravessar páginas, gostar, odiar. Não há algoritmo decidindo o que vem a seguir. Nossa proposta de fricção não almeja afastar leitores nem gerar perda de caixa — repetimos: não somos a Amazon. Entendemos que a experiência de leitura também é uma forma de provocação, de lidar com o contraditório, de resistir à passividade, à anestesia digital e à ideia de que tudo precisa ser fácil, rápido e do jeito que gostamos. Em um mundo desenhado para nos preservar a reflexão, o RelevO pode gerar incômodos. Mas talvez sejamos otimistas: assim como perdemos assinantes por conta de um estilo um tanto mais… sujo, acreditamos que existam leitores espalhados por aí — e dispostos a nos assinar — que possam gostar dessa experiência um tanto arruaceira de existir no mundo. © 2026 Jornal RelevO |
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