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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Opera Mundi — nona parte: Epílogo — primeira parte

Drops literário, fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas Arte digital, gerada por inteligência artificial. Créditos: Texto de Clarisse Cristal e direção de arte, arte final e redação de Samuel da Costa, poeta e contista em Itajaí, Santa Catarina.



 

''Incoerente, entreguei o meu coração...
A alguém que mal conhecia.
Fiquei entre a demência e a razão,
Oscilando o meu próprio inconsciente.''
Fabiane Braga Lima

 

A agora almirante Bartira olhava perdidamente para o vazio da álgida infinitude cósmica. Ela não via as torres de Carcosa atrás da lua, nem a estrela Aldebarã, nem as Híades pendendo do céu, e muito menos ouvia as sombras dos pensamentos de homens e mulheres que se alongam ao entardecer, nem os sóis gêmeos mergulhando no lago de Hali.

A almirante Bartira via e sentia uma estrela evanescer, mas o astro se negava a morrer e tendia a virar uma supernova em seu derradeiro fim. Pois o corpo celeste simplesmente se negava a se expandir e virar um astro morto. A estrela tinha ao lado uma anã branca e, em uma batalha contra a gravidade, os dois astros se fundiram e explodiram. O brilho astral percorreria a vastidão cósmica por eras infindas. Coisas que nem a distância astral, nem as poeiras cósmicas impediam a militar de alta patente de admirar e, por fim, encontrar uma saída para o dilema que a circundava: tornar permanente o que é efêmero, tornar estável o que por natureza é instável. O desafio estava lançado, e agora era encontrar para o problema gerado uma solução definitiva.

Um tanque-robô Aparai AS13 surgiu à frente da almirante. A máquina de combate, convertida em ajudante de ordens, chamou a atenção da militar de alta patente para a realidade urgente e premente. Lembrar do cerimonial, em que ela subiria de patente, marcado para dali a pouco pelo Conselho Supremo. Um simples protocolo a seguir, e a comandante de campo Bartira, por ora, daria cabo de todas as pendências antes de resolver o que de fato importava.

Bartira se multiplicou em um avatar, olhou para si e viu os longos cabelos, os olhos negros rasgados, penas de araras nas orelhas, o traje de combate negro de vinil. O avatar então foi até o supercomputador quântico para dar conta das muitas mensagens que não paravam de chegar. E o que chamou a atenção foi a mensagem da rainha Bastet, a deusa dos felinos. Depois de elogios e parabéns protocolares pela promoção de patente a ser oficializada, Bastet agradeceu pela viagem de seus súditos e informou que o documento final — a Constituição dos Felinos — já estava concluído. E, fora do protocolo, em um tom de censura, Bastet falou que a trituraria com as próprias garras se misturasse os seres humanos com os seus súditos felinos novamente. E o que se seguiu depois foram mensagens protocolares e amenas, vindas de todos os quadrantes do cosmo, dos multiversos.

A almirante Bartira se dividiu de novo e, concomitantemente, deixou outro avatar responder às mensagens protocolares enquanto ela ia até a ponte de comando. Foi conduzir o Dirigível Mare Crisium até um buraco de minhoca que se formou à frente. A belonave sobrevoava o deserto desolado da semideusa, a afra rainha Luna Dark, e a astronave adentrou a ponte arco-íris Byfrost. A almirante Bartira conduziria a astronave de combate a uma dimensão ignorada e pouco frequentada do cosmo.

A comandante se dividiu novamente e deixou para o seu avatar, na ponte de comando, a condução da belonave. A almirante Bartira bem poderia flanar até o seu camarote, mas preferiu caminhar até o seu aposento privado. Andou poucos metros pelo corredor central, subiu os lances de escadas e alcançou por fim o seu camarote pessoal.

E ali, no camarote pessoal, na tranquilidade da solitude, a militar de alta patente se trancou, fechando-se hermeticamente. Bartira pensou e fez circular entre os comandantes, alferes e seus subordinados menores uma ordem: não queria ser incomodada, fosse o que fosse, em hipótese alguma. A almirante Bartira fez desaparecer os poucos móveis que havia no lugar; não poderia se distrair com nada além de si. A militar de alta patente fez surgir à sua frente uma pequena câmara ardente, um cubículo de energia quântica, com um trono em seu interior, e, ao adentrar o recinto, fez a porta se fechar.

Uma vez dentro da câmara ardente, a almirante Bartira pensou na afra rainha Luna Dark e em como ela fora imprudente ao deixar o exílio perpétuo para procurar o ser cibernético, o vate Yendel, na Turris Ebúrnea. E como o bibliotecário-mor do deus imortal Calibor também fora imprudente ao deixar a terra dos sonhos para ir ao encontro da afra rainha Luna Dark no mundo em vigília. A almirante Bartira fechou-se em si e entrou em seu palácio da memória.

 

Fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, contista, cronista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.       
Argumento de Samuel da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Adaptações imbecis que ninguém pediu

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Dosnossos múlti-plos silêncios 

Drops literário, fragmento do livro: Duetos poéticos sul-sudeste. Créditos: Arte digital gerada por inteligência artificial. Texto de Fabiane Braga Lima poetisa, cronista, contista e novelista em Rio Claro, São Paulo e texto direção de arte, arte final e redação de Samuel da Costa poeta, cronista, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.


 

''És inspiração, luz e emoção!

Tens a leveza no olhar…

És menina solta,

Pronta para voar!''

Clarisse da Costa

 

Hoje silencio todos os meus versos e rimas

Minha alma pede paz

E necessita se distanciar

Das ardências, ânsias e fúrias

Calo-me, pois preciso do silêncio

***

Tens a realidade liquefeita

Como soberana tirana tua?

Então não se cale e esbraveje

Crie sintéticas asas e voe

Para o além da realidade fluída

Para muito além dos astros-mortos

***

Inquieta escrevo e descarrego

Tenho a sensação terrível do medo

Consome, me toma como refém...

Sem direção e infindas incertezas.

***

Escreva apaixonadamente

Ebúrnea sacrossanta poetisa 

Que repousa em tranquilas águas

Em um límpido rio claro 

Componha uma nova realidade

Que não seja então somente tua 

Que seja mim também

***

Maldita inquietude que m'domina

Minha mente parece encarcerada

Sinto-me prisioneira, de mãos atadas.

***

És bem quista

E benfazeja nos versos meus 

Tu és absoluta

 Nas vastidões infinitas

 Dos negros estros meus

Flutuas e flanas vívida na verve

Que componho

 Com negras tintas digitais 

Em páginas em branco

***

Aquieto-me, pois o mundo grita

Chora de dor... maldição, ganância...

Esperança, loucura ou solução!?….

 

Duetos poéticos Sul-Sudeste de Fabiane Braga Lima, poetisa em Rio Claro, São Paulo e Samuel da Costa, poeta em Itajaí, Santa Catarina. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Oração de Sexta feira

Oração de sexta-feira!


Hoje é sexta-feira
Da mesma maneira
Que lembramos da súplica
Lembremos de agradecer.

Na convulsão social
Passamos por intempéries
Que não é normal.
No mundo de expiações
No obscuro de situações,
Não nos abandonastes
Na agonia, na alegria,
Tem sempre nos dado a mão.

Auxilia-nos a aconselhar
Flores no caminho a derramar...
Ao levantarmos, ao nos deitar...

As tribulações do passarinheiro,
No auxílio do dinheiro,
A vitória vem certamente,
Tu estás em nossa mente,
E a sexta-feira vem contente,
Para outra vez descansar,
Seguindo a nossa vida,
Pagando a nossa dívida,
Para um dia nosso mundo conquistar...


🤔Marcelo de Oliveira Souza IwA
🤔 Do blog http://marceloescritor2.blogspot.com
Boa noite ❤️🌹🌚😴

Opera Mundi — nona parte: Epílogo — primeira parte

Drops literário, fragmento do livro: Sustentada no ar por negras asas fracas Arte digital, gerada por inteligência artificial. Créditos: T...